A Viagem (2)

O governo alemão proibiu em 1859 a emigração para o Brasil devido a um forte movimento que surgiu na Alemanha contra esta emigração, devido a diversos problemas.

Os problemas começavam já na vinda para o Brasil, nos navios, em viagens que poderiam durar cerca de 3 a 4 meses pelo Oceano Atlântico. Em algumas situações, imigrantes esperavam o navio por cerca de dois meses no porto de hamburgo, em condições precárias, onde inclusive ocorriam óbitos. Muitas viagens foram feitas em navios com excesso de passageiros, onde as pessoas viajavam espremidas, com alimentação deficiente e má higiene, quando não aconteciam inúmeros óbitos por causa de epidemias.

No Rio de Janeiro os colonos ficavam alojados em galpões na Praia Grande ( Niterói), onde aguardavam a viagem ao Sul. Enquanto que a travessia do Atlântico era efetuada em navios de 3 mastros (galeras), as viagens para Porto Alegre eram efetuadas em bergantins, sumacas e escunas de 2 mastros apenas. .

Ao chegar ao Brasil, os imigrantes alemães sofreram para se adaptar ao clima brasileiro, ao idioma e às novas condições de vida, normalmente primitivas, que já não tinham em seu país de origem.

Também muitos imigrantes morriam ao chegar ao Brasil, por causa de doenças tropicais.

Capital da Província de São Pedro era atingida após 3 semanas de viagem. Aqui, depois de recepcionados pelo Presidente da Província Sr. José Feliciano Fernandes Pinheiro, ficavam alojados na extremidade sul do porto, em prédio do Arsenal de Guerra, proximidades da atual Usina do Gasômetro. Para o transporte até São Leopoldo, na época conhecida apenas por “Faxinal do Courita”, eram utilizados lanchões toldados, movidos à vela e a remo. Em carretas os colonos chegavam à Feitoria do Linho-Cânhamo, estabelecimento fabril destinado à produção de cordoalhas largamente empregadas na navegação e que havia sido desativada no início de 1824 pelo Governo Imperial pelos sucessivos déficits e cuja administração ainda estava nas mãos do Inspetor José Thomaz de Lima. Com o encerramento das atividades da Feitoria, os 321 escravos que nela trabalhavam foram remetidos à Corte do Rio de Janeiro. As duas léguas de terras, correspondentes a 180 colônias de 100.000 braças quadradas (cerca de 8.700 hectares), foram medidas e divididas em lotes. As construções que compreendiam além do prédio principal do estabelecimento fabril ( do qual até hoje é preservada a sua parte frontal transformada em Museu do Imigrante), existiam ainda outros 81 e que foram destinados para obrigar os colonos alemães enquanto esperavam o recebimento do seu lote de terras.

Em alguns casos, chegavam no Brasil e por não estarem suas terras demarcadas, ficavam alojados em prédios ocupados antes por escravos, aguardando durante meses o assentamento em seus lotes. Também por problemas na demarcação de terras, muitas brigas surgiam.

O isolamento das colônias também dificultava na medida que faltava acesso médico para doenças ou partos, (quando a colônia não tinha seu próprio médico) e muitos morriam por não chegarem a tempo na cidade mais próxima, pois dependiam de  transporte por tração, o que era lento e poderia levar horas ou dias. A distância, mas também a falta de dinheiro, dificultavam o acesso a tratamentos.

A situação precária para sobrevivência causava muita decepção e desgosto, pois não eram as perspectivas que tinham quando decidiram emigrar. As promessas de que iriam para o “paraíso” aumentavam o sofrimento, quando estavam frente a frente a matas fechadas para derrubarem a machado, onde inclusive as mulheres ajudavam.

A espera pelo cumprimento de promessas como o desenvolvimento da região com a construção de vias de acesso e a promessa de subsídio com dinheiro ou instrumentos de trabalho (ferramentas, sementes gado), material de construção) não foram cumpridas na maior parte das colônias alemãs. A liberdade de culto de religião, apesar de declarada, era somente tolerada, pois ia contra a Constituição Brasileira. Para tanto, os imigrantes protestantes não poderiam construir prédios que tivessem a aparência de igreja, como usando sinos e cruzes.

Muitas terras recebidas pelos imigrantes eram simplesmente “ingratas”: secas e ácidas, sem capacidade de boa produção de alimentos para a própria subsistência. Até descobrirem quão inférteis eram aquelas terras, já haviam investido trabalho, sementes e tempo ao tentar cultivá-las, e entre a espera da colheita e a frustração de não conseguir colher nada, passavam fome.

Quando os imigrantes eram empregados em alguma fazenda, muitos se viram na condição de “semi-escravos”, quando trabalhavam por horas a fio, e não recebiam tudo o que fora prometido pelo trabalho, isso quando não eram maltratados pelos donos das fazendas.

 

 

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