Imigração Alemã
A história da imigração alemã para o Brasil começou em 1822, quando o major Jorge Antonio Schaffer foi enviado por Dom Pedro para a corte de Viena e demais cortes alemãs, com o objetivo declarado de angariar colonos, e o não declarado de conseguir soldados para o Corpo de Estrangeiros situado no Rio de Janeiro. O segundo objetivo era, inicialmente, mais importante que o primeiro, pois tinha a finalidade de garantir a independência brasileira, ameaçada pelas tropas portuguesas que continuavam na Bahia após a declaração, e pela recusa de Portugal em reconhecer o Brasil como estado independente.
Contribuição histórica da imigração militar dos Brummer
O binário “brummer” X colono acelerou o progresso da colônia de São Leopoldo e das demais.
O brummer representou a cultura em boas escolas da Alemanha, e o colono a vontade férrea de trabalhar com vistas a um melhor bem-estar material, mas até então com horizontes bem restritos. Até o mais simples soltados brummer haviam recebido instrução na Alemanha. E essa instrução era de muito valor numa região como o Rio Grande do Sul, onde era inexpressivo o número de escolas e matrículas.
Segundo o brummer Carlos von Kszeritz, “os colonos alemães estavam ilhados em suas picadas de mata virgem há mais de 25 anos, sem apreciáveis ligações com a pátria de origem nem com o novo ambiente”. Estavam completamente por fora, como se diria hoje!
E este papel integrador foi o que representou para eles os brummer cultos. Segundo ainda Koseritz, o mais destacado dos últimos:
“Para os colonos alemães, os recém -chegados legionários constituíram verdadeiros lêvedos, ou melhor dito, substância de fomento que poderosamente incentivou o progresso material e cultural entre os imigrados, conquanto, inevitavelmente, trouxessem a seu meio algum germe de desídia”.
De 1824 a 1854, durante 30 anos haviam entrado no Rio Grande do Sul 7.491 imigrantes alemães, não computados os brummer, os ex-soldados dos batalhões do Imperador (27º e 28º Batalhões de Caçadores e Lanceiros alemães), comerciantes e outros.
Com os nascimentos, é possível que o número de alemães e seus descendentes no Rio Grande do Sul já atingissem os 17 a 20 mil referidos pelo tenente Siber. O que se observa é que de 1849 até1853 somente entraram no Rio Grande do Sul 164 imigrantes.
Os brummer vieram recompor o ritmo imigratório interrompido, e compensá-lo culturalmente pela alta qualidade dos mesmos.
Não só mais braços, como sobretudo cérebros e técnicos, até então em pequeno número. Os últimos lançaram os fundamentos da industrialização gaúcha.
Em 1858, seis anos após o estabelecimento dos brummer no Rio Grande do sul, já existiam em São Leopoldo 889 fábricas, oficinas e lojas, a maioria de propriedade dos brummer que ali se radicaram após deixarem o Exército.
Maio 30, 2008 às 4:06 am |
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